Schaeffer nota que as indústrias de exportação, incluindo papel e celulose, siderurgia e alumínio, são muito eficientes. Mas que o grosso da indústria doméstica, beneficiada por tarifa baixa, é ineficiente no uso da energia e no uso de calor. "Muitas indústrias poderiam se apropriar do calor e cogerar eletricidade para sua própria usina", dando o exemplo do setor sucroalcooleiro, que queima o bagaço. Para o professor, o país tem uma série de gargalos legislativos, que dificultam o empreendedor a ser eficiente no setor energético e nem oferece recompensa para isso. Schaeffer estima que a energia elétrica não chega a 5% dos custos das empresas e que não é por razões de custos que o industrial investe em energia. "Ele só investe se tiver outros benefícios, como aumentar a qualidade do produto, modernizar a planta. O retorno pela produção é maior do que o retorno pela redução de custos." No setor residencial, ele aponta inexistência de obrigações de eficiência elétrica mínima para construir um prédio, por exemplo. "Aqui se consome a energia elétrica que se queira, enquanto em muitos países é em função da área construída, por exemplo''. Um dos absurdos no país está nas avenidas mais caras do Rio de Janeiro, com prédios de frente para o mar pretos, fechados com dezenas de ar condicionado. "O modelo construtivo brasileiro não estimula poupança. Quando gasta mais energia para fazer o prédio funcionar, mais queima as florestas, carvão etc". Nesse cenário, o especialista não tem duvidas de que um compromisso no G-8 (grupos dos países mais ricos do mundo mais a Rússia) é importante. "Os países do G-5 (grupo que reúne os grandes países emergentes - Brasil, China, Índia, México e África do Sul) precisam se conscientizar, não de dinheiro. O problema da ineficiência energética é má administração." Para o Brasil, um plano ambicioso nessa área ajudará a reduzir a importação de diesel, de um lado, e aumentar o excedente de petróleo que pode exportar de outro. Além disso, ele acha que terá impacto grande no setor elétrico, aumentando a confiabilidade no sistema. "Aumentar
a eficiência da energia no Brasil reduz essa dificuldade ambiental
de licenciar novas usinas na Amazônia. É mais uma ajuda
para depender menos da Amazônia e aumentar a competitividade da
industria brasileira."
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