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28.03.07 | Eficiência energética: fazer mais com menos

Fonte: Jornal do Brasil - 27.03.2007

Brasil - A constante busca das indústrias por competitividade e produtividade, além da procura por novos mercados e avanços tecnológicos, está diretamente ligada à redução dos custos e desperdício de recursos e materiais. Nesse contexto, a energia utilizada, seja ela versátil e moderna como a elétrica, ou tradicional como a biomassa, tem grande importância para se produzir com qualidade e racionalidade. A ferramenta primordial para atingir esse objetivo é a implementação de programas e ações de eficiência energética.

Eficiência energética significa produzir uma mesma quantidade de produto com uma menor quantidade de energia - conseqüentemente reduzir custos ecológicos, econômicos e sociais na geração da mesma energia. Ao analisar a evolução do produto interno bruto (PIB) brasileiro nos últimos anos, associada à evolução do consumo de energia, fica evidente o grande potencial para aplicação da eficiência energética no país.

Estimativas para economia de energia elétrica realizadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que o potencial global pode chegar a um patamar de 30 TWh (Terá Watt hora). Isso significa dizer, com base no consumo de 2005, que é possível reduzir perto de 8% o consumo de energia elétrica do país, apenas com o uso racional desse recurso, o que resulta em economia de R$ 3,85 bilhões.

No que diz respeito ao setor industrial, o potencial de energia a ser economizada é de cerca de 9,2 TWh, ou seja, 30% da estimativa global - o que representa economia de R$ 1,19 bilhão.

Ante esses números, é fundamental a adoção de programas de eficiência energética tanto no âmbito industrial como em termos globais, garantindo a segurança do abastecimento com a disponibilidade de energia barata, economizada.

A implementação de programas de eficiência energética diminui a pressão sobre a expansão do sistema de geração e transmissão, além de reduzir impactos ambientais provenientes da construção de novas e grandes hidrelétricas. Soma-se a isso o cenário atual de incertezas quanto ao suprimento de energia, o que apenas contribui para reforçar a importância na adoção de novos hábitos alinhados ao uso racional da energia.

A disseminação e o uso de medidas de eficiência energética trazem benefícios para todos os setores da indústria, que por meio de diagnósticos energéticos podem mapear o uso da energia na empresa, identificando para que e como essa energia vem sendo utilizada. A partir dessa investigação é possível identificar onde estão os potenciais de economia de energia, para então sugerir recomendações técnicas focadas em práticas de redução do desperdiço e de despesas com energia elétrica.

A empresa pode, com base nos diagnósticos, rever seus processos e alcançar melhores usos com otimização de seus recursos, adequação tecnológica e aumento da conscientização dos funcionários quanto à importância da energia e de outros recursos naturais, como a água.

Por fim, chama-se a atenção para o fato de que, embora a eficiência energética seja um instrumento que deva ser aplicado voluntariamente pelas indústrias, o estado também tem seu papel nessa empreitada. Sua contribuição pode vir através de estudos mais aprofundados sobre o potencial de economia em todos os segmentos econômicos, aplicação de programas de gerenciamento pelo lado da demanda, estímulos à eficiência energética e a inclusão da eficiência energética no planejamento do setor energético. À indústria cabe o papel de perceber na eficiência energética uma oportunidade. Oportunidade de fazer mais e melhor, com menos.

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